sábado, 4 de junho de 2011

Salão do Mazinho


O salão do Mazinho é um daqueles lugares agradáveis e que atrai muitos homens, principalmente aos sábados. O silêncio no local é algo inexistente, improvável, e justifica-se, Mazinho é um apaixonado em contar “causos” e piadas. De estrutura simples, possui apenas uma cadeira para o exercício da profissão. Mazinho é um barbeiro das antigas, ainda usa a toalhinha quente para amaciar a barba.
Hoje o salão encontra-se lotado, tem gente saindo pelo ladrão, lá estão o Pernambuco, o Jabuti - assim chamado devido sua baixa estatura e também por ser gordinho, praticamente sem pescoço e com as pernas curtas, o Romeu, o Tigrão, o Biguá, o Cruz-Credo - fanático corintiano, e o Ferreirinha -  o mentiroso da turma.
Não é raro aparecer cliente e desistir da empreitada em virtude da quantidade de pessoas no salão, no que imediatamente alerta o Mazinho:
         - Amigo, pode chegar, desse pessoal todo só dois vão cortar, o resto tá aqui só prá encher o saco!
         - Tigrão – berra o Jabuti – Na primeira vez que você fez amor, o que tua namorada disse?
         - Bééééé....bééééé – responde o cínico!
         Uma piada aqui, outra ali, até que uma ladainha surge em frente à barbearia – é um Préstito Religioso – a popular procissão.
         - Ohhhhh Virgem Maaaaria....
         O Biguá não resiste e dispara em direção à procissão:
         - Todo mundo aí vai pro céu, viu!
         - Devagar com o andor que o santo é de barro!
         Risos aqui e ali quando o Cruz-Credo sussurra que o certo era cantar assim:
         - Ohhh Virgem Maaaaria, queeee bicho queeee deu?
         - Aaaaave, aaaave, aaaavestruz, aaaaave, aaaave, aveeestruz.
         Se o salão do Mazinho não é bem alicerçado, acredito que o mesmo poderia ter desmoronado tal a algazarra que se fez.
         - Isso não é nada – começou o mentiroso do Ferreirinha – numa procissão dessas daí uma beata tropeçou e encostou a vela no traseiro da beata que tava  na frente, queimando aquela parte todinha. A colega que estava ao lado presenciou horrorizada a cena. Avisou a companheira na mesma cantoria:
         - Comadre Maaaria, tua bunda está deeeee fora!
         E a procissão respondeu em coro:
         - Isto é uma veeeergonha, praaaa Nossa Seeeenhora.
         Risos, chutes na parede, o Jabuti sentado dava tapas no joelho e sacudia as perninhas, o Romeu engasgou e o Tigrão chorava.
         - Olha essa barulheira aí seus desocupados – grita a Rosa da sacada de sua casa sobre o salão, uma sessentona que segundo a vizinhança ainda é virgem – Estou com meu noivo em casa, faz favor!!!
- Eh Mazinho – provoca o Pernambuco dando uma piscadela - manda aquela do papagaio perneta!


30 comentários:

  1. Pois não é que conheço uma barbearia como a do Mazinho? Não só a Barbearia como também um Mazinho 2!! Acho até que você frequenta o lugar e se inspirou para escrever o texto ;) Miguel, vamos ver se é a mesma - por acaso na barbearia do Mazinho tem um painel na parede com o "Santinho" das pessoas da cidade que morreram? Quem chega, principalmente os que moram fora da cidade, logo procura o painel para saber quem morreu e lógico, além das piadas, ali fica-se sabendo tudo, todas as fofocas da cidade. Bom fim de semana! Beijus,

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. Ai que delícia de texto!
    Eu sou de uma cidadezinha do interior de Minas e lendo esse texto eu pude identificar quase todos os personagens.

    Esse Brasil naive é muito lindo!

    Brigada!

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  4. Maravilha de texto Miguel, cheio de “causos”. Lembrei-me da época da nossa turma dos anos de 1980 na porta do colégio Sagrada Família. O local, claro, era completamente diferente duma barbearia, mas, precisamente ali no carrinho de acarajé do “Zé” rolava cada história... Tinha uma que falava sobre as meninas que viviam comprando leite moça. Dá pra imaginar pra que. Rsrsrsrsrsrs. Um abraço forte!!!

    Roberto Alexandre

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  5. Sempre passo aqui para elogiar os seus textos e hoje não será diferente! Um texto que nos remete a sensação clara de cidade do interior. Até me fez lembrar do tempo em que frequentava a barbearia "salão 7 de setembro". Eu era muito pequeno quando entrava lá para cortar o cabelo! Mas o clima era esse mesmo. :) Parabéns!

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  6. Miguel ,

    vou fazer coro com os restantes comentadores ...
    Maravilha .

    Um beijo e boa semana

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  7. Miguel, essa barbearia é coisa que já não existe mais!! ou existe!!Mas está mutio engraçado, pena qua acabou rápido! abraço Nina

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  8. BARBEARIA, SALÃO DE CABELEREIRO... ASSUNTOS SUPERFICIAIS E HILÁRIOS... TÃO NECESSÁRIOS!!!;-)
    TUDO "FAZ PARTE" E "FAZ FALTA".

    JAN

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  9. Como eu gosto de ler seus textos Miguel!
    Bjs.

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  10. Delícia de texto.Adoro!!!

    Beijos e ótimo domingo.

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  11. Olá, Miguel!
    Muito obrigada por mais um momento de boa disposição.
    Estamos a ler e vamos imaginando uma peça de teatro cómica com os seus personagens.
    Ainda bem que os seus problemas no que ao blog concerne, estão a começar a ficar resolvidos.
    Um abraço.

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  12. Acho você morava na mesma rua que eu, porque descreveu a "barbearia" do Santo (esse era o nome do barbeiro - sim, o cara que fazia barba e cortava cabelo, nao o santo da igreja! rs), e a vizinhança era a mesma, inclusive meu falecido pai, e era através dele que eu sabia dos "contecidos".
    Ah Miguelito, essas tuas histórias despretensiosas me fazem rir demais!!!

    Bom comecinho de semana, meu querido!

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  13. Tudo o que é "sério" sempre alguém vem e faz piada. Fato!... Cheguei até a imaginar as cenas que essa clientela do Mazinho criou, hehe!
    Até!

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  14. kkkkk... esse salão é uma loucura, heim! Por que que todo mundo gosta de tirar um sarrinho das beatas?? tadinhas rsrs...
    Beijo grande, valeu pela diversão! ;)

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  15. Miguel, aqui onde eu moro, tem a barbearia do NERSON- "Nerso baRBero", ainda usa água verva e arco, e quando corta o cabelo passa "Tarco" na nuca das pessoas e,ainda, tem a cara de pau de perguntar:
    Arco ou tarco?
    E a maioria responde:
    Água VERVA, Nerso!!!
    Bjs
    Fátima
    http://seriax.blogspot.com

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  16. Meu caro amigo, me imaginei rolando de rir, e agarrando a barriga, que ja ta doendo. Hahahahah
    Tchê, me concentrei direto nessa estória, nessa hora eu tava lá. Hahahaha
    Um Grande abraço pra ti, pro mazinho e a turma toda.
    Uma boa semana, meu amigo.
    Abração.

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  17. O melhor da história é que sempre dá pra lembrar de algum lugar parecido! Ótima semana! =)

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  18. Que pena essas barbearias tradicionais estarem em vias de extinção, né?

    O texto está estupendo, rrsss

    Uma semana feliz meu caro amigo.

    Vai como Anónima, porque é a única maneira do comentário entrar, mas eu sou a São

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  19. Boa tarde Miguel,

    Sempre muito inteligentes e gostosos de ler seus textos, acabam por nos fazer imaginar as situações que você descreve...

    Muito legal...

    Beijos e uma semana linda pra você.
    Ani

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  20. Mi querido amigo: Es delicioso tu escrito con personajes y situaciones que podrían haber existido en realidad.Muy costumbrista. Me ha encantado.

    Brisas e beijos.

    Malena

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  21. Miguel..adoro ser seus escritos. Leio sorrindo.
    Sua cronica sempre bem humorada e original.
    Parabens!
    Comeco ler e nem tenho vontade de parar.
    Um abraco,

    Ma Ferreira

    Ps. este computador rsolveu nao colocar acento nem cedilha, desculpe.

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  22. Miguel que delicia de texto pra ler. Aqui na minha rua tem duas barbearia bem parecida com essa ai. Sempre está lotada , mas muito vão lá só pra conversar, e outros até pra ver jogos que são transmitido num canal fechado. Pode uma coisa dessa? Lá se faz tudo, até manicure tem por lá. Tem pessoas que ainda acreditam que as barbearia iriam acabar ou se transformar em grandes salões, mas acredito que nunca vai acabar. Adorei o texto amigo! Um abraço!

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  23. MIguel, por acaso o Mazinho não é casado com a DIVA (Departamento de Informações da Vida Alheia)?
    Se for, acho que conheço ele. Mas, em todo o caso, teu texto primoroso evocou em mim lembranças muito queridas, puro deleite, que guardo a sete chaves. Obrigada por isso. No passado as barbearias eram bem assim, clientes cativos, e cada 'causo' daqueles!
    Bjsssssssss

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  24. Meu querido amigo Miguel
    Um texto engraçadíssimo! Em Portugal, pelo menos nas cidades grandes, os barbeiros são muito raros. Os homens cortam o cabelo nos salões unisexo. Na minha cabeleireira vão alguns homens e rapazes mais novos para cortar o cabelo.
    Mas o ambiente que se vivia nos barbeiros era assim mesmo como vc descreve - sempre com risotas, anedotas e galhofa!
    Não que eu os frequentasse, LÓGICO!!!, mas ouvia meu pai contar:)))

    Os meus olhos ... não tem grande diferença, por enquanto (obrigada por seu cuidado), mas o médico falou-me em 3 meses para se notar (ou não...) melhoria. Estou aguardando...

    Continuação de feliz semana. Beijinhos

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  25. Bom estar aqui, Miguel. Seus textos são ótimos e o bom humor com que você os trata, contagia quem lê. Beijos meu querido.

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  26. Oi Oi Miguel,
    Uma delícia de texto! Obrigada por compartilhar conosco... Uma pitada de alegria no nosso dia.
    Obrigada pela sua visita!
    Bjinho!

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  27. Oi, Miguel! Eu adoro suas dicas de organização lá no blog. Acho que você é bem organizado com as visitas. Eu sou muito atrapalhada...

    Hoje vim correndo aqui ler a história do salão do Mazinho. Miguel eu queria ser uma mosca para ver o que acontece nestes lugares onde só os homens se reúnem... quando criança eu queria ir para o bar do meu padrinho só para ouvir as conversas... meu pai me trazia pelos cabelos para casa... e eu não entendia....ninguém me explicava porque não podia...

    Agora eu me vingo lendo sobre.

    Beijos meu querido!

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  28. Amigo, tenho um desafio pra você, se quiser, é claro. Nunca pensei ia ser entusiasta de brincadeiras blogueira (viu só, nao dá pra dizer dessa água nao beberei rs) e vou deixar o link aqui tá.

    Beijo!

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  29. Acho seu blog muiiiiiiito legal, uma alegria ler seus posts!
    Abraco!

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  30. No interior de PE, em alguns locais, chamam essas barbearias de 'pela porco'. Mas lá rola todo tipo de assunto, sem dúvida.

    Abração cara!

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